TPM: Guia de Alimentação Baseado em Ciência Para Aliviar os Sintomas (2026)

Resumo Rápido (TL;DR):

  • A TPM não é “psicológica” nem frescura: cerca de 75% das mulheres em idade reprodutiva relatam ao menos um sintoma na fase lútea, e 3 a 8% preenchem critérios para o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), segundo o ACOG.
  • Cálcio tem a melhor evidência de todos os nutrientes: um estudo com 497 mulheres mostrou redução de 48% na pontuação total de sintomas com 1.200 mg/dia (Thys-Jacobs, Am J Obstet Gynecol 1998; revisão Cochrane 2000).
  • Magnésio + vitamina B6 reduz retenção de líquido, cólica e irritabilidade em dois ensaios clínicos (Walker 1998; Fathizadeh 2010) — a combinação funciona melhor que o B6 isolado.
  • Vitex (chasteberry) é a erva com melhor evidência, mas tem contraindicação séria: não pode ser usada junto com anticoncepcional hormonal, em tratamento de fertilidade ou na gravidez.
  • Prímula, “teste de saliva” e megadoses de B6 não se sustentam em ensaios clínicos. Você não precisa comprar nada disso.

A TPM costuma ser tratada como algo que se “aguenta” — uma semana por mês em que a mulher é outra pessoa, dorme mal, sente dor, inchaço, desejo por doce e uma irritabilidade que ninguém ao redor entende.

O problema dessa narrativa é duplo. Primeiro, ela normaliza um sofrimento evitável: existe intervenção com evidência clínica robusta, e a alimentação está no centro dela. Segundo, ela empurra a pessoa para o lugar errado — a prateleira de suplementos “para TPM”, cheia de produtos sem nenhum ensaio clínico por trás.

Este guia separa o que tem dado real do que é marketing. Você vai sair daqui sabendo quais nutrientes têm evidência, em que dose, com qual estudo — e o que faz cada fase do seu ciclo valer mais a pena.


TPM Não é Frescura: É um Diagnóstico Com Critérios

A síndrome pré-menstrual (SPM) é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que aparece na segunda metade do ciclo — a fase lútea — e desaparece nos primeiros dias da menstruação.

O que define a TPM não é “sentir algo”, é o padrão temporal: os sintomas surgem depois da ovulação, pioram perto da menstruação e aliviam quando ela começa. Se a irritabilidade ou a tristeza estão presentes o mês inteiro, não é TPM.

CategoriaSintomas típicosFrequência estimada
FísicosInchaço, retenção de líquido, mastalgia, dor de cabeça, cólicaMuito comum
EmocionaisIrritabilidade, choro fácil, ansiedade, tristeza, impaciênciaMuito comum
CognitivosDificuldade de concentração, “névoa mental”, indecisãoComum
ComportamentaisDesejo por doce/salgado, insônia, isolamento socialMuito comum
Grave (TDPM)Sintomas que incapacitam, com prejuízo funcional real3 a 8% (ACOG)

O número que importa: o American College of Obstetricians and Gynecologists estima que até 75% das mulheres experimentam algum sintoma pré-menstrual, e que 3 a 8% têm TDPM — a forma grave, com critérios diagnósticos próprios no DSM-5. O TDPM não responde a ajuste alimentar sozinho: tem tratamento específico, e é justamente por isso que reconhecê-lo importa.

Há ainda um detalhe fisiológico que quase nunca é explicado: o gasto energético de repouso sobe na fase lútea, algo em torno de 5 a 10% (Webb, Am J Clin Nutr 1986; Henry, 2003). Não é imaginação — seu corpo realmente pede mais comida nessa semana. Quem ignora isso e corta mais calorias justamente na fase lútea briga contra a própria fisiologia, o que costuma intensificar o desejo por doce e a irritabilidade.


Os 4 Nutrientes Com Evidência Real Contra a TPM

Antes de qualquer suplemento “milagroso”, estes quatro têm corpo de evidência publicado. Nenhum é panaceia; todos têm resultado mensurável.

NutrienteDose estudadaSintomas com melhora documentadaEvidência principal
Cálcio1.000–1.200 mg/diaDor, retenção, desejo por comida, humorThys-Jacobs, Am J Obstet Gynecol 1998 (n=497) + Cochrane 2000
Magnésio200–360 mg/diaRetenção de líquido, cólica, ansiedade, sonoWalker, J Womens Health 1998 (n=32); Fathizadeh 2010 (n=126)
Vitamina B650–100 mg/diaIrritabilidade, humor, enxaqueca pré-menstrualWyatt, BMJ 1999 (revisão sistemática)
Vitamina DIngestão dietética adequadaRisco global de desenvolver TPMBertone-Johnson, Arch Intern Med 2005 (Nurses’ Health Study II)

Cálcio: o nutriente com a melhor evidência de todos

Se existe um nutriente que merece o primeiro lugar nessa lista, é o cálcio.

O estudo de referência é um ensaio multicêntrico com 497 mulheres que receberam 1.200 mg de carbonato de cálcio por dia ao longo de três ciclos menstruais. O resultado principal não foi modesto: redução de 48% na pontuação total de sintomas comparado ao placebo (Thys-Jacobs, Am J Obstet Gynecol 1998). Houve melhora em retenção de líquido, dor, desejo por comida e humor — os quatro domínios de uma só vez.

A revisão Cochrane publicada em 2000 sobre suplementação de cálcio na TPM chegou a conclusão favorável, com a ressalva metodológica típica: os estudos eram pequenos, e o tamanho do efeito real pode variar.

A parte prática: 1.000 a 1.200 mg/dia é a meta. Você chega lá com três porções diárias de lácteos, ou combinando tofu, sardinha com espinha, tahine, brócolis, couve e amêndoas. Se for suplementar, fracione as doses — a absorção cai bastante acima de 500 mg de uma vez.

Por que dieta e não só pílula: o cálcio alimentar tem efeito sobre a TPM ligado também ao metabolismo da vitamina D e ao paratormônio, que se alteram na fase lútea. Você move o sistema inteiro, não um único ponto.

Magnésio e B6: a dupla que reduz retenção e irritabilidade

O magnésio tem dois papéis úteis aqui: antagoniza o sódio (logo, reduz inchaço) e participa da regulação de GABA e serotonina — os dois neurotransmissores mais implicados na irritabilidade pré-menstrual.

O ensaio de Walker (J Womens Health 1998) deu 200 mg/dia de magnésio a 32 mulheres e mostrou redução mensurável da retenção de líquido. Doze anos depois, Fathizadeh (2010) testou em 126 mulheres algo mais interessante: magnésio 250 mg + vitamina B6 40 mg contra B6 isolado. A combinação foi superior em todos os parâmetros avaliados. Ou seja: a dupla vale mais que a soma das partes.

A dose de magnésio com evidência fica entre 200 e 360 mg/dia. Duas observações honestas:

  • Forma importa. Citrato e bisglicinato são bem absorvidos; o óxido é barato mas pouco disponível e tende a soltar o intestino — o que, se você já tem cólica, não ajuda.
  • Acima de ~350 mg/dia de suplemento, o efeito laxativo é comum. E quem tem doença renal não deve suplementar sem orientação médica, porque o rim é quem elimina o excesso.

Sobre a vitamina B6: a revisão sistemática de Wyatt (BMJ 1999) encontrou eficácia provável para sintomas de humor, em doses de até 100 mg/dia. O detalhe que quase ninguém menciona é o teto: doses acima de 200 mg/dia por tempo prolongado podem causar neuropatia periférica — formigamento e dormência nas mãos e pés. A faixa útil (50–100 mg) está confortavelmente abaixo desse risco, mas fique atenta a produtos com “500 mg de B6” na fórmula.

Vale conhecer as diferenças entre as formas de magnésio antes de escolher um suplemento — o guia dos tipos de magnésio e seus efeitos sobre sono e ansiedade explica por que o óxido e o bisglicinato não são intercambiáveis.

Vitamina D: fator de risco e não só coadjuvante

Análises da Nurses’ Health Study II, coorte com cerca de 3.000 mulheres, encontraram associação entre maior ingestão de cálcio e de vitamina D e menor risco de desenvolver TPM (Bertone-Johnson, Arch Intern Med 2005). A associação foi consistente e dose-dependente.

Uma ressalva de rigor: isso é evidência observacional, não causal. Dietas ricas em cálcio e vitamina D tendem a ser, no geral, dietas melhores — o que embaralha um pouco a interpretação. Ainda assim, o achado apareceu em coortes prospectivas de qualidade, e reposição de deficiência de vitamina D é um alvo razoável em qualquer cenário.

Para quem quer fechar o ciclo, vale entender como interpretar seus exames de vitamina D e qual dose faz sentido suplementar.


Vitex (Chasteberry): A Erva Com Melhor Evidência — e as Contraindicações

Se você só for considerar uma erva, é essa. E o motivo é simples: o Vitex agnus-castus é a única planta com ensaio clínico de bom tamanho e resultado consistente para TPM.

O estudo de Schellenberg publicado no BMJ em 2001 randomizou 178 mulheres para extrato de fruto de Vitex ou placebo por três ciclos. A melhora nos sintomas foi significativamente superior com a erva, com efeito que se acumula ao longo dos ciclos. Uma revisão Cochrane posterior também apontou superioridade sobre placebo, com a ressalva de número limitado de ensaios.

Dose estudada: 20–40 mg/dia de extrato padronizado.

Onde está o problema: o Vitex age sobre a prolactina e a via dopaminérgica. Isso gera contraindicações que não são detalhe:

SituaçãoPor que evitar
Anticoncepcional hormonalInterferência na via dopaminérgica; risco de reduzir a eficácia percebida e alterar o ciclo
Tratamento de fertilidadeAção sobre prolactina pode conflitar com medicações de indução de ovulação
Gravidez e amamentaçãoSem dados de segurança; não usar
Uso de agonistas/antagonistas de dopaminaInteração farmacológica direta
Busca de efeito imediatoEfeito aparece em 2 a 3 ciclos, não na primeira semana

Traduzindo: Vitex não é “chá de ervas” — é fitoterápico com mecanismo hormonal. Se você usa anticoncepcional, ele sai da lista.


Ômega-3, Gengibre e a Cólica Menstrual

Cólica menstrual (dismenorreia) é outro mecanismo: contração uterina mediada por prostaglandinas. É por isso que ela responde a nutrientes diferentes dos que atuam no humor.

IntervençãoDose estudadaResultadoEvidência
Ômega-3 (EPA + DHA)1 g/dia por 3 mesesRedução de sintomas de TPMSohrabi, Complement Ther Med 2013 (n=95)
Gengibre750–2.000 mg/diaRedução da dor em dismenorreia primáriaDaily, J Altern Complement Med 2015 (meta-análise)
AINEs (ibuprofeno, ácido mefenâmico)Conforme bulaPrimeira linha, maior efeitoCochrane / ACOG

O estudo de Sohrabi deu 1 g/dia de ômega-3 (180 mg EPA + 120 mg DHA) a 95 mulheres por três meses e observou queda nos escores de TPM. É uma dose acessível — equivale a duas porções semanais de peixe gordo.

A meta-análise de Daily (2015) sobre gengibre mostrou redução de dor em dismenorreia comparável à de AINEs em alguns estudos, com qualidade de evidência baixa a moderada. Gengibre é seguro e barato, o que o torna uma adição razoável — mas não substitui o anti-inflamatório quando a dor é incapacitante.

Sobre ômega-3, vale entender a diferença entre as fontes alimentares e as formas de suplementação, e a importância da proporção EPA/DHA.

O elo com a inflamação: a prostaglandina que causa a cólica é a mesma família de mediadores inflamatórios envolvida em dor crônica. Dietas ricas em gordura anti-inflamatória tendem a reduzir a produção desses mediadores ao longo do tempo. O efeito não é da noite para o dia — é de ciclo para ciclo.


Sal, Cafeína e Álcool: O Que Piora a TPM

Aqui não há suplemento nenhum vendendo nada, só fisiologia. Na fase lútea, o eixo renina-angiotensina-aldosterona fica mais ativo, e o corpo retém mais sódio e água. Se você já está retendo, comer salgadinho na TPM é jogar gasolina.

FatorO que faz no corpoAjuste prático
Excesso de sódioSomado à retenção da fase lútea, aumenta inchaço, mastalgia e sensação de pesoReduzir ultraprocessados; aumentar potássio compensa parcialmente
CafeínaPiora ansiedade, insônia e percepção de cólica; reduz absorção de mineraisEvidência isolada é mista, mas testar 1 ciclo sem cafeína após as 14h é barato
ÁlcoolFragmenta o sono e piora o humor no dia seguinteEvidência de relação com TPM é inconsistente; o efeito sobre sono é bem documentado
Açúcar refinadoPico de glicose seguido de queda amplifica desejo por doceCombinar carboidrato com proteína e fibra

Um ponto de honestidade científica: a evidência sobre cafeína e TPM é mista. Um estudo prospectivo publicado no Am J Clin Nutr (2016) não encontrou associação isolada entre consumo de cafeína e risco de TPM. Mas isso é diferente de dizer que cafeína não piora sintomas em quem é sensível — e ela sabidamente reduz a absorção de magnésio, justo o mineral mais útil nessa fase.

Sobre o desejo por doce: ele tem base fisiológica. Na fase lútea há uma queda na disponibilidade de serotonina, e carboidrato é substrato para a síntese de triptofano e serotonina. O que funciona não é proibir o doce — é estabilizar a glicose e fornecer carboidrato complexo, que entrega o mesmo caminho bioquímico sem o pico seguido de queda. Quem sofre com oscilações de humor e ansiedade reconhece bem esse padrão.


Potássio: O Mineral Subestimado

Se o cálcio é a estrela, o potássio é o coadjuvante que ninguém lembra. Ele antagoniza o sódio no nível do túbulo renal — mais potássio na dieta significa menos retenção de líquido para o mesmo consumo de sal.

É também o mineral mais robusto do ponto de vista de padrão alimentar: dietas ricas em potássio (grandes volumes de vegetais, folhas, leguminosas e frutas) são consistentemente associadas a melhor saúde cardiovascular e menor inflamação sistêmica. Coortes prospectivas como a Nurses’ Health Study II associam dietas com maior teor de cálcio, vitamina D e potássio a menor risco de TPM — evidência observacional, vale reforçar, mas consistente em direção.

Fontes práticas: banana, batata-doce, feijão, lentilha, abacate, água de coco, folhas verdes escuras, tomate.

Quanto do mineral realmente é necessário e quais fontes são mais densas que a banana: o guia completo do potássio traz a tabela por porção e a razão sódio/potássio.

Isso se conecta a um tema maior: o padrão alimentar DASH, construído justamente sobre potássio, cálcio e magnésio, é a intervenção dietética com melhor evidência para pressão arterial. Você não precisa montar dois planos diferentes — o guia completo da dieta DASH cobre a mecânica de sódio e potássio que também ajuda aqui.


O Que Comer em Cada Fase do Ciclo

Se você levar uma única tabela deste guia, leve esta. A ideia não é rigidez, é alinhar o prato com o que o corpo está fazendo naquela semana.

FaseDias (ciclo de 28d)Hormônio predominanteFoco nutricionalAlimentos-chave
Menstrual1–5Estrogênio e progesterona baixosRepor ferro e energiaCarnes magras, feijão, lentilha, folhas escuras, vit. C junto
Folicular6–13Estrogênio subindoProteína e energia para treinoOvos, peixe, leguminosas, tubérculos
Ovulatória14–16Pico de LHAntioxidantes e fibrasFrutas vermelhas, crucíferas, azeite
Lútea17–28Progesterona altaMagnésio, cálcio, potássio, B6Lácteos, abacate, banana, cacau 70%, leguminosas, castanhas

Duas notas sobre a fase lútea, que é onde a TPM acontece:

Primeiro, com o gasto energético de repouso elevado em 5–10%, comer um pouco mais não é falha de disciplina — é resposta fisiológica. Fazer déficit calórico agressivo nessa janela costuma aumentar o desejo por doce e o desânimo. Se você está em emagrecimento, planejar o déficit para as fases folicular e ovulatória e uma manutenção na lútea é estratégia mais sustentável do que lutar contra o corpo. O guia do déficit calórico explica como ajustar isso segundo por segundo sem sabotar o resultado.

Segundo, na fase menstrual há perda real de ferro — cerca de 15 a 30 mg por ciclo. Mulheres com fluxo intenso são grupo de risco para anemia ferropriva, e fadiga durante a menstruação não é “normal”. Se cansaço aparece todo mês, vale checar ferritina: o guia completo do ferro e da anemia traz os valores de referência que importam.


O Que Não Funciona (e Você Não Precisa Comprar)

Esta seção existe porque metade do mercado de “suplemento para TPM” vive de coisas que não passaram por ensaio clínico decente.

IntervençãoSituação real da evidência
Óleo de prímula (GLA)Revisões Cochrane não encontraram superioridade sobre placebo para TPM. Ainda vendido como “essencial para TPM”.
Megadoses de vitamina B6 (>200 mg)Risco de neuropatia periférica sem ganho adicional. A faixa útil é 50–100 mg.
“Teste de saliva hormonal”Não tem validação para diagnosticar TPM. O diagnóstico é clínico, por registro de sintomas ao longo de 2 ciclos.
DETOX / “limpeza hormonal”Conceito sem base fisiológica. Quem faz o trabalho são fígado e rins, sempre.
Progesterona creme “natural”Evidência insuficiente; produtos sem padronização de dose.
Chá de amora / “regulador” sem procedênciaSem dados clínicos; risco de contaminação e interação.

O ponto não é ceticismo pela erva — Vitex tem ensaio no BMJ, e isso importa. O ponto é que “natural” e “estudado” são coisas diferentes. Use a régua do ensaio clínico, não a do rótulo.


Plano Prático de 4 Semanas

Se você tem TPM e quer testar a abordagem nutricional, este é um roteiro simples. Um ciclo é pouco para julgar — reserve dois.

Semana 1 — Medir, não mudar. Anote sintomas diariamente (humor, inchaço, dor, sono, desejo por comida) numa escala de 0 a 10. Você precisa da sua linha de base antes de mexer em qualquer coisa. É esse registro que mostra o padrão temporal da fase lútea — e é ele que um ginecologista vai pedir.

Semana 2 — Base do prato. Sem suplemento ainda. Aumente cálcio (3 porções de lácteos ou equivalentes), potássio (vegetais e leguminosas em todas as refeições) e magnésio (cacau 70%, castanhas, folhas escuras, abacate). Reduza ultraprocessado, que é a principal fonte de sódio escondido.

Semana 3 — Ajustes e movimento. Cafeína só antes das 14h. Rotina de exercício aeróbico 3x/semana — revisões sistemáticas recentes mostram redução consistente, ainda que modesta, dos sintomas de TPM, e o efeito sobre humor é bem documentado. A Cochrane inicialmente considerou a evidência insuficiente por falta de estudos bem desenhados; meta-análises posteriores apontaram benefício.

Semana 4 — Avaliação e, se fizer sentido, suplementação. Compare com a linha de base. Se os sintomas físicos persistem, é razoável considerar magnésio (200–360 mg, forma quelada) e cálcio até completar 1.000 mg/dia. Vitex só se não houver uso de anticoncepcional hormonal e com aval profissional — e o efeito leva 2 a 3 ciclos.

Se o que persiste são sintomas de humor severos, com prejuízo em trabalho, estudo ou relações, a discussão muda de eixo. Aí não é nutriente: é avaliação de TDPM e as opções com melhor evidência são outras. Vale a mesma lógica de área: entender como cortisol e eixo do estresse afetam humor e sono ajuda a não confundir quadros que se parecem mas têm tratamentos distintos.


Quando Procurar Ajuda Médica

Procure ginecologista ou psiquiatra se:

  • Os sintomas prejudicam trabalho, estudo, relações ou sua capacidade de funcionar — não é “só TPM”
  • Há tristeza profunda, desesperança, pensamentos de morte ou autodepreciação na fase lútea → procure ajuda imediatamente
  • O padrão sugere TDPM (critérios DSM-5: 5 ou mais sintomas, sendo ao menos um de humor)
  • A dor menstrual não cede com anti-inflamatório comum — pode indicar endometriose ou outra causa secundária
  • Os sintomas não têm relação temporal com o ciclo — nesse caso, a investigação é outra

O tratamento com melhor evidência para TDPM envolve intervenção específica, incluindo modulação serotoninérgica. Alimentação e hábitos são complemento da terapia, não substituto. Ser honesta sobre isso é parte do que faz a diferença entre aliviar um pouco e resolver de verdade.

E se o seu contexto é de transição hormonal — pré-menopausa com TPM somada a fogachos e ciclo irregular —, vale entender a nutrição na menopausa e o que muda nessa fase, porque as estratégias se sobrepõem bem mais do que parece.


Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual nutriente tem mais evidência contra a TPM?

O cálcio é o nutriente com melhor evidência. Um estudo com 497 mulheres que receberam 1.200 mg/dia mostrou redução de 48% na pontuação total de sintomas em três ciclos (Thys-Jacobs, Am J Obstet Gynecol 1998), com revisão Cochrane favorável em 2000. Magnésio e vitamina B6 vêm em seguida, com evidência moderada e boa resposta na combinação dos dois.

Alimentação resolve a TPM sozinha?

Resolve a maior parte no caso da TPM comum, especialmente sintomas físicos como retenção e inchaço. Não resolve o TDPM — a forma grave, que afeta 3 a 8% das mulheres e tem critérios diagnósticos próprios. Nesse caso, a alimentação é complemento de tratamento médico específico.

Magnésio funciona mesmo para cólica e inchaço?

Sim, com evidência razoável. Um ensaio com 200 mg/dia mostrou redução da retenção de líquido (Walker, J Womens Health 1998), e a combinação magnésio 250 mg + B6 40 mg superou o B6 isolado em 126 mulheres (Fathizadeh, 2010). Prefira formas queladas (citrato, bisglicinato) e fique atenta ao efeito laxativo acima de 350 mg.

Posso tomar Vitex com anticoncepcional?

Não é recomendado. O Vitex atua sobre a via dopaminérgica e a prolactina, o que cria potencial de interação com anticoncepcional hormonal, medicações de fertilidade e fármacos dopaminérgicos. Existe ainda ausência de dados de segurança na gravidez e amamentação. A erva tem o melhor ensaio clínico entre as opções fitoterápicas — mas não é para todo mundo.

Existe dieta específica para cada fase do ciclo?

Sim, e é mais útil do que parece. Na fase menstrual, o foco é repor ferro (perda de 15 a 30 mg por ciclo). Na fase lútea, priorize magnésio, cálcio, potássio e B6 — e considere que o gasto energético de repouso sobe 5 a 10% nessa janela, o que explica o aumento real da fome. Fazer déficit calórico agressivo justamente na fase lútea costuma piorar humor e desejo por doce.

[CAPTURA DE LEAD: Sugerir download de um diário de sintomas do ciclo (planilha de 2 ciclos) + assinatura da newsletter — é exatamente o registro que o plano prático pede e que o ginecologista vai solicitar]


Referências:

  • Thys-Jacobs S, Starkey P, Bernstein D, Tian J. Calcium carbonate and the premenstrual syndrome: effects on premenstrual and menstrual symptoms. Am J Obstet Gynecol. 1998;179(2):444-452.
  • Thys-Jacobs S, Starkey P, Bernstein D, Tian J. Calcium supplementation in the treatment of premenstrual syndrome. Cochrane Database Syst Rev. 2000.
  • Bertone-Johnson ER, Hankinson SE, Bendich A, Johnson SR, Willett WC, Manson JE. Calcium and vitamin D intake and risk of incident premenstrual syndrome. Arch Intern Med. 2005;165(11):1246-1252.
  • Wyatt KM, Dimmock PW, Jones PW, O’Brien PM. Efficacy of vitamin B-6 in the treatment of premenstrual syndrome: systematic review. BMJ. 1999;318(7195):1375-1381.
  • Walker AF, De Souza MC, Vickers MF, Abeyasekera S, Collins ML, Trinca LA. Magnesium supplementation alleviates premenstrual symptoms of fluid retention. J Womens Health. 1998;7(9):1157-1165.
  • Fathizadeh N, Ebrahimi E, Valiani M, Tavakoli N, Yar MH. Evaluating the effect of magnesium and magnesium plus vitamin B6 supplement on the severity of premenstrual syndrome. Iran J Nurs Midwifery Res. 2010;15(Suppl 1):401-405.
  • Schellenberg R. Treatment for the premenstrual syndrome with agnus castus fruit extract: prospective, randomised, placebo controlled study. BMJ. 2001;322(7279):134-137.
  • Sohrabi N, Kashanian M, Ghafoori SS, Malakouti SK. Evaluation of the effect of omega-3 fatty acids in the treatment of premenstrual syndrome. Complement Ther Med. 2013;21(3):141-146.
  • Daily JW, Zhang X, Kim DS, Park S. Efficacy of ginger for alleviating primary dysmenorrhea: a systematic review and meta-analysis. J Altern Complement Med. 2015.
  • American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Premenstrual Syndrome (PMS) — FAQ. ACOG.
  • Webb P. 24-hour energy expenditure and the menstrual cycle. Am J Clin Nutr. 1986;44(5):614-619.